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A sirene e o pensamento.

Escutei a sirene tocar e a ambulância descer a rua em uma velocidade absurda.
Me veio um aperto no coração ao pensar que aquela sirene poderia ser para ele.
E o fato de pensar que poderia ser, me encheu os olhos d'água. Me apertou o coração.
Engoli seco..
Por mais que juremos amor eterno, por mais que tenhamos a certeza que iremos passar o resto da vida com alguém, precisamos lembrar que fatalidades acontecem.
O que hoje pode ser eterno, amanhã pode não existir mais.
E se esse amanhã chegar? Você estará satisfeito com as decisões e atitudes que tomou?
E se amanhã chegar e você não tiver pedido desculpas pelo último desentendimento besta, não tiver dado um abraço apertado ou um beijo apaixonado?
É!
O pesar das nossas ações triplicariam de tamanho e a dor no coração seria a de um tiro. Cem tiros. Mil tiros.
Ao pensar que o amanhã pode não existir, me faz refletir que qualquer birra/briga não vale a pena.
Que o tempo perdido em discussões, poderiam estar sendo preenchidos com risadas, com carinho, com amor.
Por isso amem, amem sempre demais, amem abundantemente.
Amem como se cada dia fosse o último, para quando o último chegar você tenha a certeza que amou com todas as forças e intensidade que poderia.

Um amor que virou lembrança

Era ruim sentir suas lágrimas rolarem.
Aquela dor a consumia por completo.
Ela imaginava se era justo todo aquele vai e vem.
Ela o via confuso, seco.
E não aguentava mais ser tratada daquele jeito.
Ele brincava com os seus sentimentos.
Não se importava com nada além de si mesmo.
"Ele não tem coração?"- Pensou.
Cada dia era uma nova desculpa.
E ela aceitava, tinha que aceitar.
Ela lembrava o quanto se humilhou por ele.
O quanto deixou seu orgulho de lado, por ele.
E tudo o que recebia era um fora atrás do outro.
Ele a fazia se sentir como um lixo.
Nem um pouco valorizada.
Nem um pouco amada.
Ela tentou ser forte por ela, por ele, por eles..
E se esgotou.
Então tomou coragem e disse adeus.
Adeus aquele amor que só a feria.
Que apenas ela sentia.
E sofreu.
Sofreu como nunca havia sofrido antes.
E o tempo foi passando.
Até que a curou.
Hoje aquele amor que tanto doía.
Virou apenas uma lembrança, a qual ela se recusa a lembrar.

Amor além da vida (Parte II)

Ricardo ficou confuso, pois tudo aconteceu muito rápido.
Ele sabia que a culpa daquilo ter acontecido era dele.
Ele não devia ter pego pesado com ela.
Aquela briga...ele podia ter evitado, mas era um cabeça dura, deixou seu orgulho falar mais alto.
No momento em que Vanessa agarrou sua camisa e disse suas últimas palavras.
Ricardo ficou desconsolado, sem chão.
E assim foi por semanas, meses.
Quatro meses após a morte de Vanessa, Ricardo ainda conseguia senti-la por perto.
As vezes a ouvia chamar pelo seu nome, outras conseguia sentir o seu perfume.
Ah aquele perfume.
O que ele não faria para sentir aquele cheiro de novo.
A maior parte do tempo Ricardo ficava bêbado.
Em uma noite, após terminar uma garrafa de Whisky, ele foi sentar na beira da cama.
E foi aí que a sua vida começou a mudar.
Ricardo era um forte médium, mas nunca ligou para isso.
Achava uma besteira, não acreditava em nada disso: espíritos, reencarnação, nada.
E foi na beira da cama, no meio da madrugada, que Vanessa apareceu para ele, pela primeira vez.
Ricardo não conseguia acreditar que aquilo era real, no começo ele tentou mandá-la embora, achando que aquilo era ilusão devido a bebida.
Mas nada adiantou, sua amada continuava ali, sorrindo para ele.
Até que ela chegou perto o suficiente, para que Ricardo sentisse aquele perfume.
E quase sem perceber, ele a envolveu em seus braços e a beijou como se fosse a primeira vez.
Eles passaram a noite se beijando.
Mesmo que aquilo fosse coisa da bebedeira ou fosse um sonho.
Ricardo se entregou. Era muita saudade.
E antes que pegasse no sono ele fez sua Vanessa prometer que ao acordar, ela seria a primeira coisa que ele veria.
Seu sono foi pesado, ele literalmente apagou.
Ao acordar, Ricardo mal conseguia lembrar se o que aconteceu na noite anterior foi um sonho ou real.
Quando olhou para o lado, seu susto foi tão grande quanto a sua felicidade.
Então tudo era verdade, Vanessa estava deitada ao seu lado com um sorriso no rosto.
Após longos olhares, abraços e beijos, Vanessa explicou à Ricardo que ele era capaz de vê-la e tocá-la por causa de sua mediunidade.
E que ela estava ao seu lado durante todo esse tempo, mas ele nunca foi capaz de enxergá-la.
Tudo estava perfeito, até a hora em que Vanessa explicou que o seu tempo estava se esgotando.
E que logo ela iria atravessar a porta e seguir a luz.
Mas para isso acontecer, ele deveria deixá-la ir.
Então Ricardo se viu em um momento de decisão, aonde ele deveria deixar sua amada ir em paz ou prendê-la para sempre em nosso mundo.

Se você ainda não leu a primeira parte clique aqui.

Destruída (Parte I)


Ela chegou em casa aos prantos.
Se sentindo a escória em pessoa.
Chegou destruída, vencida.
Vencida pela dor que todo dia ela tentava deixar para trás.
Mas não adiantava.
Quanto mais tentava se livrar da dor, mais ela grudava.
Entrou em seu quarto chorando.
Ali ficou por um bom tempo.
Até que a maquiagem borrada deixara seu rosto melecado.
Cansada, foi ao banheiro.
Ao terminar de lavar o rosto, se encarou no espelho.
Começou a pensar que ela deveria deixar a dor vencê-la por completo.
Decidiu colocar um ponto final nessa história.
Na sua história.
Não seria mais uma péssima filha/namorada/amiga.
Ela queria apenas ser lembranças, saudades, alívio.
As pessoas já estavam tendo o pior dela por muito tempo.
Eles mereciam paz. Ela merecia paz.
E por mais que a vontade de morrer fosse tentadora.
Tão tentadora...
Ela, por fim, resolveu acender um cigarro. O qual não fumou.
Começou a escrever.
Decidiu colocar sua dor entre as linhas de um caderno velho.
E ali, enquanto escrevia, desejou uma garrafa de vinho.
De vinho não, whisky. Whisky era mais forte.
Mas não havia nada ali, pois ela deixou de beber há muito tempo.
Sua garrafa de vinho/wisky logo foi substituída por água.
E entre um gole e outro.
A vontade de sumir desapareceu, mas não a vontade de chorar.
E então ela chorou, chorou por horas a fio.
A casa estava vazia, ela estava vazia.
Pelo menos era assim que sentia-se por dentro.
Mas isso é um outro detalhe e outra hora, em um outro conto, eu conto. Ou não.
Ela estava vazia e sozinha.
Sentiu que tudo a sua volta estava perdendo a cor.
Tudo se transformava em um horrível preto e branco.
E assim ficou por mais algum tempo, enxergando tudo "descolorido".
A vontade de chorar não havia passado.
Sem condições de continuar escrevendo sua dor no caderno velho.
Se entregou ao choro.
O choro por sua vez, a encaminhou para um sono profundo.
E de paz.

Amor além da vida (Parte I)

Era uma tarde nublada.
A garoa fina caía pelas suas cabeças.
E de suas bocas só saiam palavras ofensivas.
Aquela briga não parecia ter fim.
Então cansada de discutir Vanessa virou as costas.
E tomada por uma dor imensa no peito.
Começou a seguir pela rua sem rumo.
Foi quando distraidamente atravessou a rua e algo aconteceu.
Tudo foi tão rápido que ela mal conseguia entender o que havia acontecido.
Não entendia porque havia um carro parado.
Nem porque algumas pessoas estavam chegando perto dela.
Só conseguia sentir seu corpo todo dolorido e a chuva caindo na sua cabeça.
E que droga, a cabeça dela também doía muito.
E então ela começou a sentir um frio.
E a cada piscada que dava parecia que se passava dois minutos.
De repente ela viu Ricardo, seu namorado ou ex, segurando sua mão e chorando muito.
Ela mal conseguia ouvi-lo, porque agora ela estava morrendo de sono.
Por um tempo, que provavelmente foram segundos, Vanessa ficou olhando para seu namorado.
E foi quando ela começou a entender o que havia acontecido.
Aquele carro estava parado porque ela havia entrado na sua frente sem perceber.
Pois estava dispersa em seus pensamentos.
E aquelas pessoas estavam ali olhando para ela.
Porque ela estava caída no chão.
Merda, ela estava com sono.
Era errado, muito errado ela sentir aquele sono.
Mas ela sabia o que isso significava.
Ela sabia que aquele seria o seu último momento com Ricardo.
E mesmo sem conseguir ouvir nada do que ele dizia.
Ela juntou todas as forças que restavam nela.
Pegou a camisa dele e o puxou para perto dela, para que ele pudesse ouvi-la.
E disse:
- Por favor, nunca se esqueça de mim, eu te amo.
E então Vanessa sorriu e fechou os olhos, deixando aquele sono tomar conta dela.

Mensagem anônima

Demorei para perceber o quanto estava apaixonado.
Sua voz é a mais suave que já ouvi.
Sua pele é tão macia que me lembra seda.
Seus olhos são os mais profundos e me seduzem completamente.
Sua beleza é estonteante de uma maneira que faz todos pararem para a ver passar.
Seu caráter é único.
E o seu corpo, aah o seu corpo..
É uma viagem ao paraíso.
Perco a noção do tempo ao percorrer cada centímetro do seu corpo.
Talvez eu seja só mais um bobo apaixonado.
Mais ela é perfeita.
Ela é intensa, verdadeira e divertida.
Me entende, me completa.
Parece até um sonho.
E minha sorte é que esse sonho, eu vivo acordado.

Ass.: Anônimo

Lorena

Ela era dessas garotas que chamam a atenção, mas não dava mole para qualquer um.
Nunca chegou a amar ninguém de verdade.
Sempre teve problemas em demonstrar seus sentimentos.
E no final sempre estragava o que tinha de melhor na vida dela.
Nunca chegou a conhecer um cara que realmente fosse O cara.
Então num dia desses, ela estava em uma festa.
E o viu, quieto, no canto dele.
E ela não sabe o porque dele ter chamado tanto a atenção dela.
Ela culpou o álcool, porque ela fez um monte de besteira naquela noite.
A única coisa que ela realmente se orgulhou foi de ter ido lá e conversado com esse cara.
Ela não lembrava mais da metade do que tinham conversado.
Mas ela sabia que ele tinha despertado alguma coisa dentro dela.
No dia seguinte, eles se trombaram em um show.
Não trocaram muitas palavras e nem jogaram conversa fora.
Ela estava com vergonha por ter feito as coisas que fizera noite passada.
E com medo do que ele fosse pensar dela por causa disso.
Foi então que ele demonstrou interesse nela, mas mesmo assim ela não deu muito espaço para isso.
Afinal mal o conhecia e nem sabia direito o que ele causara nela.
Os dias foram passando, eles foram trocando mensagem.
E combinaram de se ver.
Saíram, curtiram mais um show, dessa vez ele que estava no palco.
E na hora de ir embora, ela pediu carona.
Eles chegaram em frente ao prédio e começaram a conversar.
Toda vez que pintava um silêncio, era constrangedor.
Pois tinha um clima, mas ela não sabia se arriscaria dar o próximo passo.
Eles estavam se conhecendo ainda.
E nisso as horas foram passando e quando se deram conta o sol já estava nascendo.
Então ele desceu do carro para acompanhar ela até a porta.
E lá conversaram mais um pouco.
Com o coração acelerado e a respiração rápida, ela fechou os olhos e o beijou.
O beijo tinha gosto de timidez, de vontade, de quero mais.
E ela jurou que se o tempo parasse ali, ela nunca mais apertaria o play.
Eles não sabiam, mas ali naquela porta começou uma linda história de amor...

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